EUA vão impor “grandes sanções” à Turquia por prisão de pastor, diz Trump | VEJA.com

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Pastor americano Andrew Craig Brunson é escoltado até sua casa em Izmir, Turquia – 25/07/2018 (Demiroren News Agency/DHA/Reuters)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escreveu hoje (26) em seu Twitter que os Estados Unidos vão impor “grandes sanções” à Turquia pela “longa detenção” do pastor americano Andrew Brunson, solto ontem após passar quase dois anos preso em meio à repressão política no país euro-asiático.

Brunson foi autorizado a voltar para sua casa, na costa turca. A decisão vem após esforços do governo americano para conseguir liberação o pastor, acusado de se associar a grupos políticos “proibidos” no país após a tentativa fracassada de golpe de Estado ao governo do atual presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, em 2016.

O americano ainda continuará a ser julgado e, se considerado culpado, poderá ser condenado a até 35 anos de prisão por espionagem e associação a organização criminosa.

Trump escreveu ainda que Brunson é “um grande cristão, homem de família e maravilhoso ser humano”. “Ele está sofrendo muito. Esse inocente homem de fé deveria ser solto imediatamente!”, disse o presidente americano.

The United States will impose large sanctions on Turkey for their long time detainment of Pastor Andrew Brunson, a great Christian, family man and wonderful human being. He is suffering greatly. This innocent man of faith should be released immediately!

— Donald J. Trump (@realDonaldTrump) July 26, 2018

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O caso tem sido um agravante nas relações entre Washington e Ancara, aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). O Ministério de Relações Exteriores turco chamou de “inaceitáveis” as ameaças de Trump. “Ninguém pode dar ordens à Turquia e ameaçar nosso país”, disse o porta-voz do ministério, Hami Aksoy.

Brunson residia na Turquia com a esposa e três filhos na cidade de Izmir enquanto trabalhava como pastor da pequena Igreja da Ressurreição local antes de ser preso.

As autoridades o acusam de ter ligações com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão e um movimento liderado pelo teólogo Fethullah Gulen, que a Turquia acusa de terrorismo e culpa pelo golpe fracassado de 2016.

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, publicou no Twitter logo após a liberação de Brunson que a soltura não é suficiente e o pastor deveria ser inocentado. “Não vimos nenhuma evidência credível contra o senhor Brunson”, tuitou Pompeo.

O vice-presidente americano, Mike Pence, também se pronunciou sobre o assunto, reforçando a fala de Trump sobre possíveis sanções caso Brunson não seja declarado inocente. “Para o presidente Erdogan e o governo turco, tenho uma mensagem em nome do presidente dos Estados Unidos da América. Solte o pastor Andrew Brunson AGORA ou esteja preparado para enfrentar as conseqüências”, publicou.

O Ministério das Relações Exteriores da Turquia disse que compartilhou “informações necessárias” com os Estados Unidos, mas insistiu que o caso deveria ser deixado com o Judiciário turco.

(Com Estadão Conteúdo)

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